Os Adorno surgiram no século XII como uma família nobre da República de Gênova. Foram uma das principais casas no poder, rivalizando com famílias como os Fregoso. Forneceram pelo menos seis doges (líderes da república), incluindo Gabriele Adorno (eleito em 1363) e Antoniotto I (que governou intermitentemente até 1397).
Gabriele Adorno é o fundador da linhagem dogal Adorno: Ele marca o início da ascensão da família ao poder supremo na República de Gênova após as reformas "populares" de 1339 (com Simone Boccanegra). Todas as fontes históricas sobre os Irmãos Adorno no Brasil citam explicitamente Gabriele como o primeiro Doge da família, e ligam os irmãos a essa "célebre família genovesa" que começou sua proeminência pública em 1321 (com Gianfranco Adorno, ancestral próximo) e alcançou o dogado com Gabriele.
A família era conhecida por seu envolvimento em comércio marítimo, banca e política, mas perdeu influência após uma série de revoltas e alternâncias no poder, culminando na dominação espanhola sobre Gênova em 1528.
Ramos da família se estabeleceram na Espanha, produzindo militares, almirantes e figuras proeminentes. Embora não haja menções explícitas a Xerez de la Frontera em todos os registros, a presença em territórios espanhóis (como Andaluzia e Flandres, sob influência espanhola) é documentada.
Após a perda de poder em Gênova, parte da família buscou exílio em Portugal, aproveitando relações com a corte de D. João III.
As armas que lhe pertencem são: De ouro, com banda xadrezada de negro e de prata, de três tiras. Timbre: águia estendida de negro entre duas asas de ouro.
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| Palácio Doge em Genova, Itália. Sede da República de Genova, na qual os Adorno dali governaram. |
BRASIL:
Nos primórdios da formação do Brasil, quando a terra ainda se encontrava em luta aberta contra o gentio hostil e contra a cobiça estrangeira, aportaram na costa da capitania de São Vicente quatro irmãos genoveses: Giuseppe, Raphael, Francesco e Paolo Adorno, vindos na frota de Martim Afonso de Souza, a serviço da poderosa família Marchioni.
Francesco, tomou parte na construção do engenho Madre de Deus, regressando para a Europa apenas em 1572, segundo algumas fontes como jesuíta. Paolo, depois de envolver-se nas lutas contra os índios hostis em São Vicente, seguiu em 1534 para a Bahia. Lá conheceu o governador geral, Mem de Sá, com o qual passaria a colaborar. Por fim, Giuseppe foi um dos fundadores de Santos, explorando, posteriormente, a cultura canavieira. Seu sucesso como empreendedor, levou-o a estender seus negócios para outras áreas, como Santo André da Borda do Campo, próximo à então aldeia de São Paulo de Piratininga, e até mesmo o Rio de Janeiro, onde teve importante participação na luta contra os huguenotes (protestantes) franceses.
Os quatro irmãos (Giuseppe/José, Francesco/Francisco, Paolo/Paulo e Rafael/Raffaele) descendem do ramo Campanaro que adotou o sobrenome Adorno:Via Battista Adorno olim Campanaro (século XV), que recebeu o privilégio de usar o sobrenome Adorno conferido pelo Doge Antoniotto I Adorno (neto ou descendente próximo de Gabriele). Antoniotto I (Doge múltiplas vezes entre 1378-1396) era filho de Gabriele Adorno. Assim, o ramo Campanaro entra na família Adorno por casamento e concessão dogal de um descendente direto de Gabriele (Margherita Adorno, filha de Adornino, casou com Nicola Campanaro; depois, Battista recebe o nome de Antoniotto I).
Giuseppe Adorno na Capitania de São Vicente:
O nobre genovês, José Adorno figurou entre os mais empenhados e ativos colonizadores da capitania de São Vicente. Casado com D.ª Catarina Monteiro, recebeu de Martim Afonso uma das maiores sesmarias então concedida, terras amplas e merecidas, pois nelas o seu espírito organizador fez florescer a agricultura e a ordem. Foi quem iniciou no litoral paulista a cultura sistemática da cana-de-açúcar, lançando as bases de uma economia duradoura.
Em tempos críticos, quando as hordas indígenas ameaçavam destruir as frágeis povoações litorâneas e quando o futuro da pátria em formação parecia pender por um fio, José Adorno destacou-se entre os homens que, desprezando a própria vida, lutaram destemidamente. Defendeu o litoral não apenas contra os indígenas, mas sobretudo contra a sanha rapace de piratas franceses, batavos e anglo-saxões. Colaborou decisivamente com os portugueses, armando boa parte das tropas em Cananeia, que acabariam por expulsar os franceses na expedição para o Rio de Janeiro.
Sua figura surgia sempre onde o perigo era maior, solidário com os mais fracos, arriscando-se sem temor pela segurança dos companheiros. Grande amigo dos jesuítas, auxiliou-os em todas as circunstâncias. Em 1565, quando os tamoios aliados aos franceses ameaçavam como nunca a capitania, esteve ao lado de Padre Anchieta na arriscada missão até Iperoig, conduzindo as pirogas e irmanando-se à sorte do místico jesuíta. Em 1583, quando o corsário Eduardo Fenton entrou audaciosamente na barra de Santos com intuitos de pilhagem, foi José Adorno quem ousou aproximar-se do pirata, indo até bordo para enfrentá-lo.
Riquíssimo e profundamente dedicado à sua esposa, fundou em Santos a ermida de Nossa Senhora da Graça, ao pé da montanha, doando-a posteriormente aos monges carmelitas. Na ilha de Santo Amaro, ergueu ainda outra capela, transmitida mais tarde aos seus filhos. Longa e frutifera foi sua vida: faleceu centenário, com mais de cem anos, tendo a satisfação de ver coroada de pleno êxito a obra à qual consagrara seus esforços e sua existência. A civilização pela qual lutara, e à qual dedicara o melhor de si, é a mesma que hoje se reconhece como a brilhante civilização paulista, erguida sobre o labor, o sacrifício e a coragem de homens como José Adorno.
Raphael Adorno, O Clã Adorno Paulista:
Rafael Adorno casou-se com Maria Adorno (possivelmente prima ou parente próxima), se fixou no planalto paulista. Seus filhos/netos casaram com famílias vicentinas e paulistas antigas, como Prado, Oliveira, Sampaio e Alvarenga (ex.: Manuel Adorno de Sampaio, filho de Diogo Adorno de Sampaio + Inês Monteiro de Alvarenga). Com descendentes em Guaratinguetá, Taubaté e sul de Minas.
Paolo Adorno na Capitania da Bahia - O Clã Caramuru:
O fidalgo genovês Paulo Dias Adorno fugiu de São Vicente por razão de homicídio; refugiou-se na Bahia com Afonso Rodrigues (natural de Óbidos), por volta de 1530, e casou-se com Filipa Álvares (filha bastarda de Diogo Álvares Correia, O Caramuru) em 1534. Tiveram 2 filhos registrados: Catarina Dias Adorno e Antonio Dias Adorno.
Catarina Dias Adorno, casou com Francisco Rodrigues em 1.° de janeiro de 1552, tendo como padrinho o governador Tomé de Souza.
Antônio Dias Adorno, foi afamado sertanista, posteriormente feito cavaleiro, agraciado com o hábito de Santiago.
Madalena Alvares, uma outra filha bastarda de Diogo Álvares Correia - O Caramuru, casou com Afonso Rodrigues (companheiro de Paolo Adorno, que fugira juntamente com ele para a Bahia), no mesmo dia em que casou também Filipa Álvares com Paulo Dias Adorno, e casaram na igrejinha da Graça e foram ministros destes sacramentos o padre Frei Diogo de Borba, religioso de São Francisco, que com companheiros iam para a India com Martim Afonso de Souza, mandados no ano de 1534 pelo rei D. João III, a fundar lá conventos. Afonso Rodrigues e sua mulher Madalena Alvares, tiveram três filhos registrados: Alvaro Rodrigues, Rodrigo Martins, e Gaspar Rodrigues.
Por carta del Rey, de 24 de dezembro de 1607: Alvaro Rodrigues e Rodrigo Martins, irmãos, foram feitos fidalgos concedendo-lhes brazão de armas de nobreza, "conforme a seus feitos"; e mercê do hábito da ordem de Avís.
Genealogia dos Adorno-Rodrigues:
1. Diogo Álvaes Correia (O
Caramuru)
2. Magdalena Álvares c.c. Afonso Rodrigues
3.1. Alvaro Rodrigues c.c. Filipa *Adorno (se presume filha
de Catarina Dias Adorno [prima de Álvaro Rodrigues]
4.1.1. Afonso Rodrigues Adorno († 7 de abril de
1665) c.c.
5.1. João Rodrigues Adorno, o velho, filho segundo. c.c.
D. Úrsula de Azevedo
5.2. Gaspar Rodrigues Adorno c.c. Filipa Álvares, f.ª
de Maria Fernandes (†1672)
6.1. João Rodrigues Adorno
6.2. Alvaro Rodrigues Adorno, cap. Mór c.c. Filipa
Alvares Madeira
7.1. Álvaro Rodrigues Adorno, Sargento-mor (2 de agosto
de 1688) c.c. Elisa Alves Madeira
8.1. Margarida Rodrigues Adorno c.c. Manuel Suzarte em 20
de agosto de 1718.
6.3. D. Maria Adorno c.c. Manuel de Aragão
7.1. Manuel de Araújo de Aragão c.c. D. Maria de
Aragão, f.ª de Pedro Camelo e de D. Ana de Aragão, irmã de seu
Pai.
7.2. Antônio de Araújo de Aragão,
7.3. Gonçalo de Araújo de Aragão,
7.4. Cosme de Araújo de Aragão,
7.5. Sebastião de Araújo de Aragão, etc. foi religioso
do Carmo e cinco filhas freiras em Portugal. Brites, batizada a 8 de agosto de
1669, Maria, batizada a 25 de dezembro de 1674.
6.4. Afonso Rodrigues Adorno c.c. Maria Dias de Souza
em 1654. F.º de Gaspar Rodrigues Adorno; como o pai e avós, sertanista
famigerado, o governador geral encarregou-o, 20 de julho de 1671 de socorrer
Estevão Ribeiro Baião Parente, cabo dos paulistas que tinham ido "reduzir"
os tapuias do Paraguaçu.
7.1.
8.1. Afonso da Franca Adorno,
5.3. Afonso Rodrigues Adorno (†1639), eleito capitão da
gente branca
4.1.2. Maria Adorno c.c. Martim de Ugui
5.1. Afonso Rodrigues de Ugim Adorno
3.2. Rodrigo Martins c.c.
3.3. Gaspar Rodrigues c.c. Filipa Adorno (irmã de Clara
Adorno e neta de Filipa Álvares, sua avó)
4.3.1. João Rodrigues Adorno (n. c.1607 – †1742)



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